Quando penso que não acredito de repente me vejo encantada com o mundo dos sonhos. É claro, não acredito que o mundo do espelho exista ou que amanhã eu vá começar uma dieta. Mas acredito em vida após a morte e até em elogios. Então fico mentindo pra mim mesma que é preciso não acreditar para que eu seja uma revolucionária de altas causas. Causas que, na verdade, nunca saem do papel ou apenas da mente (eu particularmente tenho aversão às pessoas que não pregam o que falam, mas isso já é outra coisa).
Mesmo levando assim, acreditando em não acreditar, eu sinto falta da época em que eu acreditava mais na vida, apostava que as coisas iam dar certo, e realmente davam, ou até eu perceber que elas foram pro saco eu já estava acreditando em outras cosias tão sem sentido quanto. Sinto falta também em acreditar em amor inacabável, aquele que perdurou por um bom tempo mas que no final das contas virou 'acabável', como um lâmina de faca velha. Nessa época eu só acompanhava a página de fofocas da Istoé e (quase) prestava atenção no telejornal, mas ficava vidrada quando meu avô falava de políticas ou crises da bolsa. Acreditava que o que ele dizia era certo, mas também que o que passava no telejornal era verdade (santa ingenuidade!). Hoje eu não acredito, por exemplo, em políticos que usam a terceira pessoa pra referir a si mesmo ou em 'mídia sem máscara', e isso é uma coisa que eu não sinto a menor falta de acreditar. Meu avô também sempre foi muito religioso e eu até tentei seguir o caminho dele, mas nunca fui muito de crer nessas histórias de Deus pra cá, Deus pra lá. Hoje eu realmente não acredito e que venham mais coroinhas para me criticar.
Sabe como é, aquela velha história (ou não): 'Faça o que eu mando mas não faça o que eu falo'. Com toda sinceridade: acredite. Acredite em lasanhas perfeitas, acredite em horóscopos, acredite em coisas irrelevantes. Acredite em você.
Ou em qualquer bobagem...